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sábado, novembro 03, 2007

Correria mano!

Ele estava orgulhoso, pela primeira vez em anos ele fora selecionado para dar o tiro inicial da tradicional maratona de sua cidade e, depois de muita preparação, lá estava.
Na linha inicial os corredores se preparavam, e ele também porque a corrida era muito tradicional naquela cidade interiorana e ele não poderia fazer feio.
Todos prontos, inclusive ele. Atenção, preparar, apontar e...
Ele mirava o céu, lindo naquele dia, num azul lindo com poucas mas fofas nuvens. Sentia-se forte e jovem, importante e respeitável, muito mais do que em todos os anos desde que se mudara para o interior.
Preparar, apontar e JÁ.
Nesta hora seu braço caiu muito, tanto que ele deu o tiro inicial em paralelo ao chão, viu a cagada que fez e só lhe restou uma opção, correr atrás do erro. Literalmente.
Enquanto os competidores corriam na pista ele corria pela lateral desta, passara o ultimo colocado, o antepenúltimo, depois o outro e o outro ate que passou todos os competidores, na curva da pista ele foi reto.
Pulou a pequena cerca e desembestou atrás da bala deixando os espectadores abismados.
Correu e correu mas a bala não cansava. Tirou um sanduíche do bolso e o comeu, viu que não seria fácil, precisava de energia.
Atravessou três estados e nada da bala descansar.
Em cada cidade que cruzava, cada bar que passava ele escutava, “a esse xerife, um fanfarrão”.
A noticia de sua corrida se espalhara pelos jornais e telejornais e assim a policia ia abrindo caminho para ele.
Cruzou a primeira interestadual, a segunda, tava chegando a terceira quando sentiu o cheiro dela, estava perto.
Deu um pique a mais e conseguiu distinguir onde estava a danada.
Corria e corria e ela voava e voava. Ele estava com sede mas não podia parar, lembrou-se dos chopps que deixara para traz. A sede lhe matava e não viu outra opção, enquanto corria, bebia do seu suor. Aumentou o seu metabolismo para conseguir absorver o vapor d’agua e colocou os seus pelos na forma mais aerodinâmica possível.
A frente viu um pasto de elefantes, se preocupou e a bala ganhou terreno, mas os elefantes escutaram a bala e abriram um corredor e nenhum se machucou. No pasto onde estavam, o grama abaixou, o que fez com que ele ganhasse o terreno perdido.
Cruzou o rio, estava quase no país vizinho, devia correr mais, não queria problemas internacionais.
Correu mais e viu um pasto de vacas, justo ele que adorava vacas, não poderia deixar a bala chegar lá, vacas não tinham orelhas que nem elefantes.
Deu seu sprint final e conseguiu alcançar a bala antes que ela cruzasse a cerca.
Pronto, pegou-a e guardou no bolso. Foi ai, mas só ali, que ele lembrou que teria que dar a bandeirada final também.
Subiu na vaca e voltou.


Observação nada a ver da semana, vocês viram "O Sistema", seriado novo da globo? muito divertido!

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