Aquela velha historia,
a conversa entre o criador e a criatura.
Estava eu, seguindo minha rotina, criando, recriando, editando, estas coisas, quando escuto uma de minhas personagens me chamando.
- Ô camarada, ô roteirista! Poxa, tú me criou e só me usou em uma historia! Não se lembra mais de mim?
- Você é ...
- Aquele cara que dormiu na rede da varanda da casa de praia
- Hummm, é mesmo! E ai, sussegadinho?
- Não! Você me criou, me usou e depois mais nada! Fiquei aqui, vivendo neste teu mundinho! Eu quero mais ação, eu quero participar mais dos teus roteiros.
- E porque você acha que merece isso e os outros não?
- Só eu sou corintiano!
Me emocionei.
Combinamos que no outro dia, tudo que ele pensasse eu iria realizar, dentro do possível é claro!
Ele acordou muito cedo pra aproveitar bem o dia. Pensou naquela velha casa de praia que ele tinha, fechou os olhos e lá estava ele, naquela velha casa de praia no meio do nada que passara a história passada e nunca mais a vira. Sol, sem nuvens, sem ninguém. Tal e qual ele gostava.
Pensou em descansar e, quando abriu a geladeira, estava cheia de cerveja, geladinha. Na churrasqueira, a carne já estava no ponto que ele gostava. Nem no ponto, mas também não sangrando. A televisão anunciava um jogo do timão. Passou a manhã inteira vendo televisão. Sem telefone tocando, sem vizinho pra conversar e, como ele quis, sem mulher pra dizer que ele precisava tomar jeito e arrumar alguma coisa pra fazer.
De tarde ele viu aquele mar e pensou, "sacanagem, eu não sei surfar". Olhou para o lado e tinha uma prancha de surf parada misteriosamente querendo ir pro mar. Não custa tentar, disse ele. Surfou toda a tarde, como se tivesse nascido numa prancha desde piá. Golfinhos os assistiam e gaivotas entoavam uma canção para ele não se sentir muito sozinho. Ele só não entendia como cada uma conseguia imitar instrumentos diferentes e produzir algo que se assemelhava em muito a uma canção do Elvis.
Chegou a noite e ele se sentiu sozinho, pensou numa mulher, numa ocasião perfeita.
Começou a chover.
Continuou a chover. E chovia muito e ele já tava perdendo as esperanças do dia perfeito até que, toca a campainha.
Ele olha pelo olho mágico e vê uma mulher e pensou que, se o criador tivesse que mostrar que era bom mesmo e merecia o cargo que ocupava, ele teria mandado ela mesma. Sim, foi o que eu fiz.
Abriu a porta, não sem antes ensaiar um passo ridículo de dança, e ela disse que estava indo para casa, mas com a chuva, desistira e que precisava de um lugar para passar a noite. Ele deixou. Fazer o que numa hora destas?
Mostrou onde era o banheiro, lhe deu uma toalha e, misteriosamente, um vestidinho branco transparente que encontrou no seu armário e, o mais misterioso ainda, ela não estranhou.
Agora eu precisava ser rápido, precisava descobri qual era o tipo de mulher que o coitado gostava. Resolvi fazê-la do tipo fácil, pra facilitar as coisas. Claro!
Ela sai do banho com o vestido já meio aberto, sinto que o corintiano treme. Era demais para ele de uma só vez. Mudei o tipo, agora ela era do tipo que tinha que ser conquistada aos poucos, mas não tão pouco porque eu não tinha o resto da folha para gastar com ele.
Ela abotoa o resto do vestido envergonhada e ele se controla. Ele pensa que podia tocar alguma musica, mas não tinha radio em casa, nem luz não tinha! como a televisão ligou ninguem sabe. Magicamente ele escuta algo conhecido, uma musica que vai tomando conta da casa aos poucos.
"yesterday..."
Eles se sentam no sofá e começam a conversar.
"all my troubles seemed so far away..."
Papo vai e papo vem, ele sente que precisam de uma bebida.
"now it looks as thought thy're here to stay..."
Ele olha do seu lado do sofá e tem um balde de champagne com duas taças.
"oh, i belive..."
Eles bebem e se divertem.
"in yesterday..."
Ele precisava de uma deixa. Pára de chover e o céu fica limpo, lindo.
Resolvem subir no solário da casa, ele nunca tinha visto um solário na casa, e ficam observando as estrelas. O céu tinha uma lua minguante bem fininha e muitas estrelas, e muitos cometas, e muitos pedidos.
Ele olha para ela. Ela olha para ele. Os dois se olham, ela desvia o olhar, estava se fazendo de difícil, ele adorava isso. Acertei de segunda no tipo de mulher. De tantas, acertar de segunda foi uma sorte!
Agora toca alguma coisa do rei, ele não sabia o que era, mas ela gostou. Ele se espreguiça e coloca o braço em seu pescoço. Malandrão ele. Começa a ventar mas ainda faz calor. Resolvem entrar.
Quando entra no seu quarto ele leva um susto, no lugar da sua cama de solteiro tem uma cama de casal, com lençóis de seda e espelho no teto.
Espelho no teto, uau! esse roteirista é dos bons,pensou. Adoro ser elogiado.
Fiz uma pesquisa rápida no seu subconsciente e descobri tudo.
As luzes vão ficando mais fracas. Agora estão bem fraquinhas. Ele a abraça. Os dois se beijam. Vão para a cama e, de repente, saem duas gêmeas orientais de dentro do armário vestindo somente lenços de seda branca bem finos. Ele quase cai da cama, viu que a mulher tinha gostado, e ele também não podia perder esta chance.
As duas sobem na cama e começam a brincadeira, ele olha para o lado e, em cima do criado mudo, tem alguns brinquedinhos. Era tudo o que ele queria, a orgia perfeita. Agora tocava AC/DC.
Ele olha para o céu, não sei porque estes personagens acham que eu fico no céu, agradece e, apaga a luz!
Apaga a luz não! Eu não deixo! Fiz tudo isso e não posso ver?
Eu acendo a luz, ele se assusta. Quase cai da cama pensando ser o namorado samurai das gêmeas. Após ver que não era nada disso, ele quebra a lâmpada do teto.
A não, sem perdão! Eu ajudo o cara nesse tanto e ele não me deixa nem ver.
Perdeu!
Brinquei de Sílvio Santos com ele.
A pipa do vovô não subiu!
Cada um que me aparece.
®Efenestrando Idéias, essa é nossa marca, esse é nosso lema.

2 Comentários:
Às 23/12/07 13:39 ,
Anônimo disse...
HAHAHAHHAHAH!
muito boa.
tipo the sims.. ou god :)
aaah poderosão!
haha
beeejão criador :**
Às 28/12/07 11:33 ,
Felipe Gollnick disse...
hauhuehUHEUHUhuhUHUAHUHAuhauhuahauha
cara, você está se superando!
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