Medo
Acordara com a garganta seca depois de uma noite muito mal dormida.
Ao olhar pela janela vira que o sol nascia, o céu estava azul sem nuvem alguma, mas o dia estava frio.
Levantou-se, tomou seu café, lavou seus dentes, se arrumou e foi para seu trabalho.
O dia esta realmente bonito, céu limpo e azul, o sol nascendo e um frio que a impunha vestir algumas blusas.
Ela achava divertido tudo aquilo, principalmente a fumaça que saia da boca das pessoas quando elas falavam, aquilo era extremamente divertido para ela.
Seria um dia de inverno normal para ela se, no caminho para o trabalho, quase chegando, ela não sentisse o que sentiu.
Achou até um pouco normal, visto a quantidade de roupas que vestia, porém todos vestiam o mesmo tanto de roupas e ninguém estava assim. Pelo menos não aparentava.
Pensou que era algum vento ou saída de ar, andou mais rápido, mas a sensação não passava.
O calor que sentia era intenso e vinha de dentro de seu corpo.
Começou a tirar suas blusas, seus amigos estranharam ela ficar somente de blusinha e calça, visto o vento gelado que corria pela rua.
Ao chegar no seu escritório, seu corpo parecia em chamas, mas ela não via nada que a deixasse assim. Tentou trabalhar um pouco, mas o calor não a deixou se concentrar. Abriu a janela do seu andar e o vento a esfriou, por poucos instantes. Seus colegas reclamaram do frio do 20º andar e ela a fechou.
Ela dava tudo de si para se concentrar, mas era inútil. Desistiu.
Foi até o ultimo andar, lá batia vento de todos os lados e era bem aberto. Era uma sacada bem ampla e muitos passavam o horário de intervalo lá, mas quando ela chegou lá era início de expediente, não havia ninguém.
O vento esfriou-a um pouco e lá ficou durante algumas horas, só que o horário de intervalo chegou.
A sacada se encheu de gente e o calor em seu corpo voltou a arder. E o vento já não adiantava, todas aquelas pessoas encapuzadas e ela de manguinha passando calor.
Começou a suar, sua vista começou a arder e ela já via chamas no chão. Era muita gente.
Desesperada ela tirou seus sapatos e meias.
Aumentou seu calor.
Tirou a calça e a blusa e nada.
Ficou nua em pêlo, seguranças correram para impedi-la mas ela fora mais rápida, já corria para longe deles. Corria no meio das pessoas, todos a olhavam, não que ela fosse muito bonita, mas uma mulher correndo pelada é uma coisa que todos olham.
Corria e corria como se sua vida dependesse disso, mas seu corpo ainda ardia. Olhava para trás e alguns dos seguranças já cansavam e paravam, à medida que corria se sentia um pouco mais livre do corpo que queimava e mais longe dos seguranças.
Corria e corria, e corria e corria, até que chegou ao final da sacada. Parou, seu corpo ardeu mais ainda. Olhou para trás e um grupo grande de pessoas começou a encurralar.
Sentiu medo, um medo enorme, um ódio de todos, faltou-lhe o ar e o corpo fervia mais e mais, e isso não a ajudava a pensar direito. As pessoas se aproximavam e ela já estava toda a flor da pele.
Virou-se e continuou a correr, em direção ao final do prédio, pulou.
Pulou e naqueles 6 segundos que antecederam sua morte ela se aliviou.
Não sentia mais o peso de seu corpo, não sentia mais o peso de suas roupas; não sentia o sapato apertar, o vestido a sufocar nem o sutiã a levantar.
Naqueles 6 segundos ela foi livre.
Nunca sentira nada assim, o vento moldando seu corpo, entrando por seus ouvidos, seus cabelos balançando.
Ali, naqueles 6 segundos, ela viu que a vida tinha sentido.
Ali, naqueles 6 segundos entre o topo do edifício e o chão, ela foi feliz.
®Efenestrando Idéias, essa é nossa marca, esse é nosso lema.
Ao olhar pela janela vira que o sol nascia, o céu estava azul sem nuvem alguma, mas o dia estava frio.
Levantou-se, tomou seu café, lavou seus dentes, se arrumou e foi para seu trabalho.
O dia esta realmente bonito, céu limpo e azul, o sol nascendo e um frio que a impunha vestir algumas blusas.
Ela achava divertido tudo aquilo, principalmente a fumaça que saia da boca das pessoas quando elas falavam, aquilo era extremamente divertido para ela.
Seria um dia de inverno normal para ela se, no caminho para o trabalho, quase chegando, ela não sentisse o que sentiu.
Achou até um pouco normal, visto a quantidade de roupas que vestia, porém todos vestiam o mesmo tanto de roupas e ninguém estava assim. Pelo menos não aparentava.
Pensou que era algum vento ou saída de ar, andou mais rápido, mas a sensação não passava.
O calor que sentia era intenso e vinha de dentro de seu corpo.
Começou a tirar suas blusas, seus amigos estranharam ela ficar somente de blusinha e calça, visto o vento gelado que corria pela rua.
Ao chegar no seu escritório, seu corpo parecia em chamas, mas ela não via nada que a deixasse assim. Tentou trabalhar um pouco, mas o calor não a deixou se concentrar. Abriu a janela do seu andar e o vento a esfriou, por poucos instantes. Seus colegas reclamaram do frio do 20º andar e ela a fechou.
Ela dava tudo de si para se concentrar, mas era inútil. Desistiu.
Foi até o ultimo andar, lá batia vento de todos os lados e era bem aberto. Era uma sacada bem ampla e muitos passavam o horário de intervalo lá, mas quando ela chegou lá era início de expediente, não havia ninguém.
O vento esfriou-a um pouco e lá ficou durante algumas horas, só que o horário de intervalo chegou.
A sacada se encheu de gente e o calor em seu corpo voltou a arder. E o vento já não adiantava, todas aquelas pessoas encapuzadas e ela de manguinha passando calor.
Começou a suar, sua vista começou a arder e ela já via chamas no chão. Era muita gente.
Desesperada ela tirou seus sapatos e meias.
Aumentou seu calor.
Tirou a calça e a blusa e nada.
Ficou nua em pêlo, seguranças correram para impedi-la mas ela fora mais rápida, já corria para longe deles. Corria no meio das pessoas, todos a olhavam, não que ela fosse muito bonita, mas uma mulher correndo pelada é uma coisa que todos olham.
Corria e corria como se sua vida dependesse disso, mas seu corpo ainda ardia. Olhava para trás e alguns dos seguranças já cansavam e paravam, à medida que corria se sentia um pouco mais livre do corpo que queimava e mais longe dos seguranças.
Corria e corria, e corria e corria, até que chegou ao final da sacada. Parou, seu corpo ardeu mais ainda. Olhou para trás e um grupo grande de pessoas começou a encurralar.
Sentiu medo, um medo enorme, um ódio de todos, faltou-lhe o ar e o corpo fervia mais e mais, e isso não a ajudava a pensar direito. As pessoas se aproximavam e ela já estava toda a flor da pele.
Virou-se e continuou a correr, em direção ao final do prédio, pulou.
Pulou e naqueles 6 segundos que antecederam sua morte ela se aliviou.
Não sentia mais o peso de seu corpo, não sentia mais o peso de suas roupas; não sentia o sapato apertar, o vestido a sufocar nem o sutiã a levantar.
Naqueles 6 segundos ela foi livre.
Nunca sentira nada assim, o vento moldando seu corpo, entrando por seus ouvidos, seus cabelos balançando.
Ali, naqueles 6 segundos, ela viu que a vida tinha sentido.
Ali, naqueles 6 segundos entre o topo do edifício e o chão, ela foi feliz.
®Efenestrando Idéias, essa é nossa marca, esse é nosso lema.

1 Comentários:
Às 5/8/07 21:45 ,
Felipe Gollnick disse...
ah, esses textos em que descreve-se de maneira detalhada e sentimental uma auto-defenestração!
todos nós escrevemos um texto assim algum dia!
bacana!
abrazos!
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial