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terça-feira, outubro 03, 2006

Capítulo 3

A professora não era brava, ela entrava, dava sua aula com gente prestando atenção ou não, às vezes expulsava o Bruno e o Thiago, amigo inseparável de Bruno e tão atentado quanto ele; e ia embora. Não se importava muito com o que acontecia. Só que uma bola; não era uma bolinha, não era um aviãozinho, era uma bola! A bola! Ela não esperava e com seus nervos a flor da pele perguntou novamente quem fora, novamente o silencio.
Em seus olhos podia-se sentir toda sua ira, suas aulas não eram as melhores, porém ninguém podia reclamar da professora, vai que vinha coisa pior? Ao fitar seus olhos, vi-os tremendo, duas bolinhas de ping-pong, fazendo de tudo para sair daquele buraco onde estavam metidas, tremendo, piscando, lacrimejando. Devia ter doido.
Professora: “Thiago, para fora da sala, agora!”.
Thiago: “pô fessora, eu to aqui na frente, quase em baixo d’ocê, não pode de ser eu! Serio mesmo! Veio lá de trás, ou ali do meio”
Julia gela, fica imóvel, Bruno também, não esperava tal atitude de seu companheiro, sabia que a professora nunca iria incriminar alguém ali do meio, todas as meninas certinhas sentavam ali, iria expulsa-lo novamente de sala.
A professora chama o diretor, este ameaça uma suspensão para toda a sala se o culpado não aparecer, olho para Julia, parada, assustada, sem saber o que dizer, o que falar, o que fazer. Olho para Bruno, um pouco mais calmo que Julia, porém com os olhos arregalados prestando atenção em tudo, percebi uma gota de suor escorrendo pelo lado de sua cara, Bruno sabia que se saísse de sala, iria para casa para não voltar mais à aula.
Resolvi me mexer, afinal, eu sou do bem.

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